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O rendimento no exame de suficiência e a qualificação profissional

Publicado por JAP Treinamentos em 26 de janeiro de 2021

PROF. DEMETRIO LUIZ PEDRO BOM JUNIOR

O Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade é uma prova composta por cinquenta questões do tipo teste, com quatro alternativas cada uma, cuja aprovação ocorre com 25 pontos (cada questão vale um ponto, todas tem o mesmo peso); são duas provas aplicadas durante o ano, geralmente de forma presencial, sendo uma em cada semestre.

A aprovação neste exame é requisito obrigatório para obtenção do registro profissional. O candidato, após obter o seu certificado de aprovação, requere junto aos Conselhos Regionais de Contabilidade o seu registro. Atualmente só podem prestar o exame bacharéis e formandos na graduação de Ciências Contábeis; após a aprovação, não há prazo para requerer o registro.

Conforme a denominação o exame visa avaliar se o futuro profissional possui os conhecimentos suficientes para ingressar e exercer a profissão com maior preparo e qualificação. Os assuntos abordados são vários (contabilidade geral, custos, controladoria, matemática financeira, auditoria e perícia contábil, legislação aplicada, normas brasileiras de contabilidade, demonstrações contábeis, dentre outros) e a prova requer do candidato preparo psicológico, domínio dos principais conceitos e atualização constante. As questões são muitas vezes multidisciplinares, envolvendo dois ou mais assuntos numa pergunta só; apesar das provas apresentarem alguns problemas é fato que estão cada vez mais exigentes, mas o mercado de trabalho não é assim?

Conforme as recentes estatísticas apresentadas pelo Conselho Federal de Contabilidade, os assuntos que apresentam os maiores índices de erros são: Contabilidade aplicada ao setor público, contabilidade de custos, matemática financeira e estatística, língua portuguesa aplicada, princípios de contabilidade e normas brasileiras de contabilidade, noções de direito e legislação aplicada e teoria da contabilidade. E aqueles assuntos maiores índices de acertos não ultrapassam 70% do total de questões. O percentual de reprovados é cerca de 62%, considerado alto.

Com isso fica a reflexão de que pode haver dificuldades na preparação do formando para prestar o exame, na qualidade do curso que fez ou está realizando, seus estudos pessoais e também no que focar para a prova. Mesmo após a aprovação, gera uma demanda de trabalho para as empresas e escritórios que virão a contratar ou empregar estes profissionais, podendo ter a necessidade de investir em treinamentos e capacitação, agregando custos para o negócio.

É preciso haver, talvez, um maior alinhamento entre os cursos superiores em ciência contábeis, o exame de suficiência e o mercado de trabalho. A realização de discussões ou debates entre os órgãos e entidades interessadas poderiam ser mais constantes.

Eu que fiz esta prova e tive uma pontuação elevada, como professor de curso preparatório e também participando da educação continuada proposta pelo Conselho Federal e Regionais de Contabilidade, percebo que as questões abordam o que estão nas normas de contabilidade, especialmente os CPC, e que muitos assuntos vistos em seminários e palestras do programa de educação continuada estão alinhados com os cobrados no exame.

Talvez a aplicação de uma prova ou como o exame é realizado atualmente não seja a melhor maneira de avaliar um futuro profissional que tenta ingressar na área contábil, mas ele tem toda sua validade, prevenindo de certa forma o ingresso daqueles que poderão executar as atividades com incapacidade, além de ajudar nas fiscalizações dos conselhos.

Para fazer esta tão importante prova é preciso se preparar e muito. Como citei anteriormente, preparação psicológica, emocional e técnica são requisitos para fazer o exame com mais tranquilidade. Por isso é crucial planejar os estudos, revisar e se atualizar para a prova. E não para por aí, pois como dito temos a educação continuada que nos trás a possibilidade de um aprimoramento e desenvolvimento constante.

Quanto a nós contadores, penso que cabe também vermos como os recém-ingressos na profissão estão vindo da sua formação; afinal, não basta passar no exame, os verdadeiros testes vem nas duras avaliações das nossas atuais profissionais. Como procuro sempre terminar meus textos, digo: Sucesso a todos.

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